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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pensamentos de Pitôco




Minha tia-mãe Marilda tinha uma amiga. Eram muito amigas e desligadas, vou chamá-la de Marlene. Minha tia tinha algumas características, muito vaidosa e estava sempre arrumada, e uma mania: comprava lembranças e guardava no seu armário do quarto.

Eram presentinhos, mimos para as pessoas que gostava, aquelas que chegassem, queria agradar, era o jeito dela. Marlene todos os anos no aniversário da amiga passava a tarde conversando com ela, era muita conversa, e eu gostava de ficar ouvindo, com minha tia não havia aquelas frases de censura que já falei por aqui, ela me deixava ficar, não havia crivo nos assuntos, Marlene tinha uma voz bem fina e desafinada, eu ria muito quando ela saia e ficava imitando: “– Marilllllllda foi mesmo, ave Maria nem sabia que fulana tinha morrido” ela era meio mórbida. Alta, magra demais e usava um perfume que me fazia lembrar missa, talvez incenso, quando vejo a família Adams me lembro dela. Mas... Lá vinha Marlene com um pacote na mão. Era um presente.  Entregou. Titia agradeceu. Era um conjunto de perfume e sabonete numa caixa vermelha.

 Alguns meses se passaram e lá vem Marlene, só que desta vez o aniversário era dela. Titia havia guardado o presente que havia ganhado da amiga no meio dos presentes que ela comprava, desligada, embalou e entregou a Marlene que abriu e também adorou, nem percebeu que era o mesmo, entre sorrisos e abraços as duas sentaram no velho sofá da sala e haja papo.
Tia Marilda

Eu me divertia com a situação, uma das melhores cenas que ficaram gravadas. Titia recebeu no ano seguinte o mesmo presente de Marlene. O pacote foi trocado três vezes.
Eu ganhei o pacote de presente pra lá de viajado, sempre que me perfumava lembrava aquela música do rei Roberto: “O PORTÃO” “eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar...”.


Em tempo: Voltei com Pitôco depois que o mineirinho Toninho BLOG perguntou por ela, pois estava com saudades, eis a própria amigo. Rsss

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PENSAMENTOS DE PITÔCO


Acordar no meio da madrugada é chato como sala de espera, aliás, esperar é um verbo irritante até na conjugação. Minha tia-mãe me ensinou a rezar nessas horas para não trazer maus pensamentos e do receio de pensar coisas ruins veio o hábito de pensar muito e acabei misturando tudo, não costumo rezar, converso com Deus, Jesus, Nossa Senhora, São Miguel Arcanjo, Santa Rita de Cássia, tem mais, é uma lista enorme, e a minha cantilena só os santos suportam.
Na madrugada acordei sem sono e tive saudade de mim, de uma época de colégio de freira em que estudava e passei por tantos momentos de altos e baixos.
Sentir saudade da gente mesmo é buscar o impossível e ter certeza que a fotografia do tempo não tem retoques. Consegui no pensamento que a insônia impõe me encontrar na capelinha do colégio. Meu uniforme tinha uma textura áspera de tantas lavagens, mas eu me sentia bem com ele. O lugar era aconchegante, simples, gostava de ficar quieta ouvindo o silêncio e sentindo o cheiro de flores do altar, acreditava que entrando numa igreja nossos pecados imediatamente eram revelados e depois perdoados. E ali sentada eu esperava a sirene do intervalo tocar para voltar pra sala depois que gastava  água benta sem necessidade, mania, não sei.
O padre era uma figura engraçada, falava rápido e andava mais rápido ainda e quando escutava nossas confissões de pré-adolescente durante a quaresma, me perdoava com uma rapidez de um papa- léguas, ficava meio chateada: “- Dez ave-marias Yasmine, dez!” Eu contava nos dedos, abria a boca em vários bocejos e me sentia quase flutuando como os anjos do altar. E na madrugada eu tive saudades desse lugar, saudade de mim, do padre, do cheiro da capela, daquele silêncio inquisidor que ao mesmo tempo me abraçava. Voltar no tempo só em pensamento, hoje minha cabeça tão mudada não confessa mais a nenhum padre, não diria uma libertação,mas um esclarecimento de dogmas, não tenho mais tempo de ficar apenas lá ,parada,olhando um altar.Tenho hoje que esperar os mandamentos da vida e do tempo, e vez por outra perturbar os santos, sem confissões , o que é melhor, só conversas na madrugada.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

PENSAMENTOS DE PITÔCO



Em conversa de adultos, rodas de farras, reuniões familiares, notava que havia de vez em quando algo estranho no ar, olhares parados olhando para uma só pessoa do grupo, nem piscavam, atentos e depois o cochicho básico, risadas ou algum espanto carregado de falso moralismo. E nessa hora eu movida pela curiosidade que qualquer criança normal tem, aparecia no ambiente querendo saber o que havia de tão importante e grave. E lá vinha a frase de alguém do grupo como se fosse um comandante do bope mandando que todos fechassem as bocas: “- Psiu! Meu Dedo chegou!”.
Demorei a entender que “meu dedo” era eu, que o silêncio era para que eu não soubesse do segredo, da fofoca, do assunto, embora colasse frases na minha cabeça, quase todas, e no fundo eu gostava da tensão que causava com meus cincos ou seis anos entre adultos ditos calejados pela vida e cheios de conceitos. E quantas vezes eu fingia não ouvir, nem perceber um indicador qualquer por cima da minha cabeça e a frase no ar: “- Deixe Meu Dedo sair que (o tom de voz agora maior) depois eu conto”. Confesso que me sentia um perigo, o máximo.


Em tempo: Segredos não se dividem se vivem. São sacrilégios ou escapulários. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

PENSAMENTOS DE PITÔCO


Eu andava de botas ortopédicas , feias e grosseiras. Me colocavam  um vestido vermelho bonito, mas as botas eram destoantes.Ficava chateada , criança não podia reclamar, e ainda diziam que eu estava linda.Eu sabia que não era verdade . Quando comecei a trabalhar aos 16 anos, eu tinha uma coleção de botas lindas.  Diferente, eu primeiro acreditava no que via, depois se algum elogio viesse era saldo, eu já estava bem satisfeita comigo.

Em tempo: A verdade anda descalça, por isso muitas vezes machuca.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

PENSAMENTOS DE PITÔCO


Começo hoje “Pensamentos de Pitôco” que foram pensados agora neste instante, ontem, não sei, respeitando o dia que "ela" quiser escrever. Algumas cinzas,outras brasas ,mas que até se forem batidas se transformam,viram incenso, viram... qualquer coisa.YL



*Tinha mania de falar e repetir o que sentia, pegava a concha do mar e sorria ao ouvir sua própria voz no vento “também amo, amo, amo”. Não era sozinha, a voz, o sentimento, todos com ela, menos o pensamento.
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