Uma ânsia de querer chegar, ficarem juntos. Eram jovens. Caminhavam entre a ansiedade e descoberta, o medo e euforia. Descascavam-se em segredos, queimavam pensamentos e desejos. Eram adultos, o tempo passava. A água do mar entre seus pés mostrava que tudo era muito rápido, onda vinha e voltava. Perderam-se, mas o mar ainda está lá , sozinho, observando as angústias entre as pedras que continuam a caminhar e não envelhecem.
Hoje a palavra está crucificada,
presa, agoniza sem querer ser. Como um algoz massacrando o que deseja nascer e
não deixo, porque a palavra também pode condenar. Nas entrelinhas nem eu sei o
que ela quer dizer, sinto que preciso dela, menos do silêncio. O silêncio não, ele
escreve com formas cortantes, ele crava espinhos na alma, deforma qualquer
sentido e vontade de nascer um pensamento. A palavra também é silenciosa, mas há
barulho nas coisas do mundo quando ela passa a existir, dá forma aos sentimentos.
Eu prendo a palavra quando quero, mas na realidade sou uma eterna refém de sua
força.
Entre cheiros, músicas, retalhos
de pensamentos, memórias minhas, estão esconderijos meus. A liberdade tímida
abre as asas, e o abismo ainda assim me olha. Arriscar-se é sensação também de
alcançar um sonho, alimentar desejo, vida pura, em qualquer gaveta escondida.
A vontade se refaz, e só em ter você minha vida se faz texto
primário, que em mãos sendo corrigido linha por linha com sua imperfeita borracha,
nada é apagado, porque assim é amar...
Ninguém manda em mim , descalça ou
de botas não tenho hora e caminho. Sou a dona da situação, descanso sem as mãos
de quem me faz feliz. Meu coração não conhece ansiedade nem se emociona na
canção.
Depois que pensei assim, ri da
minha estupidez , afinal , quem ama não tem autonomia , a primazia é a doação.
Hoje quero a solidão do meu mar calmo (...e
feliz) , a música que sozinha monta e desmonta meus sonhos (...tão meus ) . Quero
meu recanto , perto da janela que fica escondida nos meus pensamentos e que eles
também não me assustem, pois neles não me reconheço . Daquela janela vejo outra
pessoa , que sei que sou eu, mas não acredito por ter coragem demais, sonhar demais
e que ainda quer viver tudo . Sei que são sonhos ou pensamentos e desse recanto a
qualquer momento irei me buscar (...vou sim) .
O meu amor não tem nada de extraordinário
e filosófico. Todos os dias quer ser alma inteira, meu amor é muito menos, quer
ser sorriso, esperando o tempo impreciso, sem noção de leis. Meu amor é irresponsável,
quer descer ladeira na chuva, montanha russa, choro,alegria ,euforia de olhar
nos olhos. Sem tempo direitinho, certinho. Ele vive intensamente quando ouve o
vento no barulho de rebeldia, zoada da chaleira. Meu amor é fusquinha , é sem
artigo, sem discurso. Ele é a caneta perdida embaixo do travesseiro. Viagem
para o interior, churrasquinho no espeto.
- Corre ! Corre comigo suja a
roupa de areia e fere os pés, amor menino!
O meu amor ainda causa espanto por
chorar quando ouve música, quando sente o cheiro de ontem que enraizou- se na
mente.
Pieguinho, pieguice, nada Cult, e
eu insisto: prefiro assim, bem assim de um jeito que não sei explicar.
Tenho muito de bruxa sim, na comida , meus temperos são como uma alquimia ,no amor e na vida , intuição aguçada , despreparada muitas vezes para a verdade vindoura e invisível , sentida no vento , no tempo . Sou uma bruxa meia -boca: não sei voar , muito menos fazer porções para fazer desaparecer o mal . Ainda assim , faço fé nas minhas energias boas onde o amor pode tudo , sabe tudo e não tem pra ninguém .
P.S: Darei uma parada breve, depois retorno e MUITO obrigada pelas visitas e comentários. bjs YL
Tem exílios que eu mesmo construo entre pensamentos e miçangas. Esqueço-me por lá. Retorno sem perceber, por isso as
vezes meu olhar perdido procurando por mim.
Encontrei pelo caminho pessoas, cores
e sorrisos. Havia também folhas secas, verdes, flores isoladas, quase esquecidas.
Tudo em harmonia natural, sem cobranças, nem vaidades. Uma paisagem simples. Nos
espinhos, a chuva limpava o que ficou dos cortes, rápida ferida. Uma
beleza que inquietava e uma agonia serena me perguntava: - Por
que as pessoas complicam tanto a vida?
Milton Nascimento : Quem sabe isso não quer dizer amor?
Guardei a certeza do carinho, o
poema nascente, a vida como presente. Sem laço, sem fitas, tudo simples, bem guardado.
Tesouro aberto: Aroma de um tempo das flores, um amor iluminado, nada para ser decifrado.
Verdadeiro relicário.
Tento acalmar os sentidos. Eles
fogem pelos poros, me desconcertam. Sonhos que vez por outra me pertubam, nessas
horas a ansiedade me acorda e prefiro a insônia melancólica, pois eles me
deixam em situação difícil, como se as flores ,imagens e cenários que crio ,
tivessem como testemunha incontestável a minha realidade. Então sinto como se existisse
mentira e invenção, mas só estava sonhando ,decorando minhas vontades .
Nando Reis e Roberta Campos : De janeiro a janeiro
E mesmo com as tormentas no mar, imensidão que me faz naufragar em minha própria inquietação, as saudades me rodeiam, ausência que se faz presente nos meus pensamentos.
Lembranças de rostos , laços de nascença. Saudade enraizada . Espero o choro chover meu oceano, escapo mais uma vez da tempestade, alma gritante, afoga-se em mim.
Aliviada, coração ofegante, tenho a certeza de que fiquei também em algum lugar, e só de ter a certeza que não sou completa, valeu a pena, a vida é amar, e tudo tem seu preço.
Yasmine Lemos
29/03/2011
(a saudade da minha avó e do meu pai amanheceu hoje mais dominadora)
As sandálias são minhas, mas prefiro meus pés descalços. Na lua mora São Jorge, um dragão, meus sonhos que imagino quando quero e como posso,eu ainda acredito nos meus sonhos. O mar não é do pescador,mas ele carrega sua rede e alimenta seu corpo. Algumas verdades, outras mentiras. Prefiro ainda meus pés livres. Um altar sem pedidos,melodias, uma lembrança ,um luar , uma saudade e brincar de voar.
Eu nunca acreditei em papai Noel. Não lembro de ter colocado sapatos na janela. Nunca me pouparam da verdade. Hoje eu queria acreditar. Pedir um mar, olhar de longe, respeitar o tempo do fruto que não se arranca, uma rosa na roseira, ganhar presentes que jamais virão com laços e fitas. Sonhar. Olhar e acreditar que por segundos foram meus. Coisa de criança que o tempo e a vida não quiseram me ensinar.