Foto: Yasmine Lemos
Quando meu filho nasceu não
pensava mais em mim.
Era ele, somente ele, ali:
pequeno, indefeso, éramos indefesos, nós dois e não percebia. Depois fui
ficando forte, sensação de poder simplesmente por ser mãe e estar conseguindo
criá-lo.
Aprendi a teclar em pé, com um só
dedo, segurando ele nos braços. Mas nunca gostei de levantar a bandeira das “mulheres
poderosas” pelo contrário, sempre quis ser companheira, embora minha natureza
seja livre e inquieta, talvez uma falsa fragilidade sem más intenções, machismo
enraizado, porque muitas vezes você dá chance a outra pessoa de sentir-se útil
e necessário.
Há uma agonia em provar que as
mulheres precisam ter em mãos a razão como suporte, acho que por isso tem muita
mulher chata, é verdade, mentira uma pinóia! .
Gosto dessa troca de carências
que produzem amor, como aprendi com meu filho. Agora prefiro calma e o silêncio,
deixar as razões para os dias nublados. E hoje o dia amanheceu ensolarado, céu azul,
e na pauta muita coisa boa para viver e
sentir. YL
"É belo vês o amor sem anestesia
Dói de bom, arde de doce
Queima, acalma
Mata, cria
Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria
Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora
É o estado de poesia" (Chico Cesar)