Sempre acreditei que o amor não
tinha tempo, não tinha relógio, amor é sentimento inexplicável ao mesmo tempo
adjetivado a cada segundo que um coração pulsa de saudade, de alegria, de
esperança.
Acho que não tenho total culpa por isto, sofro
também por ser radical, mas é assim que sinto, assim que sei viver e ser eu.
Tive referências fortes, fui
criada por um pai que não temia abandonar as regras, meus pais foram assim, eram discussões fortes, palavras de amor fortes, atitudes inesquecíveis, tudo numa intensidade
desconcertante para quem assistia. Está enraizado na minha alma acreditar que o
amor foge das lógicas certinhas. E sei também que ele em mim é implacável
quando magoado, esquiva-se e apaga como borracha toda uma história ou um rosto de
quem me feriu ou fez alguém que amo sofrer, é da minha natureza e ponto. Não
brigo mais com ela.
Minha adolescência inteira fui
cobrada e vi minhas primas, e amigas também sofrerem a absurda cobrança de ter
idade para isso, para aquilo.
Hora de casar, hora de ter filho, hora de faculdade,
mulher sozinha é feio, não se “misture” e na minha casa eu vivia ensinamentos
bem diferentes, a cozinheira almoçava conosco na mesa, (isso é amor , respeito)
o filho dela era nosso amigo, dividíamos brinquedos ( isso é companherismo), o amigo pedreiro também participava dos nossas festas (somos
todos iguais, meu pai dizia) ,quando tinha 19 anos ele me disse que eu não era
obrigada a nada que não quisesse , mas gostaria de ganhar um neto se um dia eu
achasse certo pra mim, “não é vergonha
ter um filho, vergonha é casar ou fazer outra coisa porque chegou a hora dos outros
e não a sua” (sic). Era assim que eu também sentia.
Não estou afirmando que se não
for do meu jeito não existe amor, existem histórias lindas por aí que fazem
inveja aos finais felizes das novelas e filmes, sei de milhares de pessoas
extremamente burocráticas e metódicas que são felizes . Cada um com seu jeito.
Cresci ouvindo declarações de amor,
meu pai escrevia bilhetes para mim, meus irmãos, minha mãe e deixava rolando
pela casa. Vivi e aprendi que a hora é a gente que faz, que conveniência é a
desculpa dos acomodados e preguiçosos. Beijar, abraçar excessivamente e dizer “eu
te amo” é muito bom, rejuvenece a alma, o corpo, e o sorriso vem como explosão
e estoura para todo lado, contagiando tudo que está por perto.
Nunca gostei de seguir regras, sempre
corri delas, embora depois de ter um filho a vida puxa a orelha e lembra que
agora não sou mais sozinha e tenho que ter sensatez, mesmo com a minha natureza
explodindo por dentro, é nas músicas que ouço, nas linhas que escrevo, nos beijos
que dou , admirando minhas plantas, cozinhando muito (porque adoro preparar com
amor para quem amo) vou voando, e chego a me sentir liberta de todo esse mundo
estranho. Não sou irresponsável, sou avessa aos boletins de comportamentos modelos.
Já choquei mais com minhas teorias e práticas, mas nada que
ofendesse a moral de ninguém, é meu amor mesmo, jeito de viver rodeada de
pessoas que amo e dizer o quanto, e beijar e abraçar. Acredito e quero
continuar acreditando nesta força perfeita e nada linear que é amor e amor com
verdade e sem nenhuma tabela de tempo.
Não! O tempo não.
Quero deixar claro ao senhor da
razão que a minha mente e a alma não andam juntas com o relógio, nem com leis
que a sociedade hipócrita exige. Aqui bem dentro de mim sou livre! Amo do meu jeito,
do jeito que aprendi, que veio no meu sangue e que brigo por amor, faço tudo por
amor, assim eu sou forte, sou tempestade e nascer do sol e me sinto um universo
pronto para pulsar.