O meu amor não tem nada de extraordinário
e filosófico. Todos os dias quer ser alma inteira, meu amor é muito menos, quer
ser sorriso, esperando o tempo impreciso, sem noção de leis.
Meu amor é irresponsável,
quer descer ladeira na chuva, montanha russa, choro,alegria ,euforia de olhar
nos olhos. Sem tempo direitinho, certinho. Ele vive intensamente quando ouve o
vento no barulho de rebeldia, zoada da chaleira. Meu amor é fusquinha , é sem
artigo, sem discurso. Ele é a caneta perdida embaixo do travesseiro. Viagem
para o interior, churrasquinho no espeto.
- Corre ! Corre comigo suja a
roupa de areia e fere os pés, amor menino!
O meu amor ainda causa espanto por
chorar quando ouve música, quando sente o cheiro de ontem que enraizou- se na
mente.
Pieguinho, pieguice, nada Cult, e
eu insisto: prefiro assim, bem assim de um jeito que não sei explicar.
Erasmo Carlos : Seu Homem e Mulher