Sou estranha, esquisita. Sou uma
pessoa com defeitos feios, sem condições de acertos para modelar os olhos
alheios. Gosto de querer, gosto de sentir, ter certeza que meus inimigos pagaram
por seus erros como eu paguei pelos meus. Tenho sede de justiça que chega a
doer , a ser uma dor física,coração lateja e acelera e nessa estupidez , eu
choro de indignação. Sou uma pessoa estranha, não gosto de perdoar quem me
feriu com gana, com força na humilhação,não esqueço, quero meus inimigos longe
de mim, não sei conviver com o mal. Sou tão estranha que sinto medo de mim às
vezes, da minha memória terrívelmente detalhista, precisa nos fatos bons e nos ruins,
eles dentro da minha mente e coração tem um peso que me faz ser água e fogo, ao
mesmo tempo .Sou estranha sim, trago comigo saudades imensas, cruéis e não vou
mentir que tenho certa acomodação em não querer fazer exercícios mentais para
diminui-la, mas não fomento, ela chega e deixo ficar, ela é forte como um
tigre, tem um abraço frio, depois ela vai embora, e o interessante é que quanto mais o tempo passa, ela envelhece e eu viro criança, perdida no meio do
escuro querendo colo de alguém, de pai, de tia, de alguém que me amou. Sou o
que sou e não sou igual a ninguém, como não pensar em dinheiro e precisar dele?
Quero e procuro somente o essencial (coisas para meu filho, um vestido bonito
na loja popular, perfume, sapato alto ( tirar em 5 minutos com dor nos pés),
comida, plano de saúde, minha casa. Sou medíocre? Devo ser. Pra mim está tudo ótimo.
Faço tipo? Talvez não, acho que não. O problema é sentir demais, amar demais e
respeitar os sentimentos alheios demais, o excesso é o problema. Sou estranha, esquisita.
Amorosa e ciumenta. Doce e ácida quando tenho que ser, e minha mania de
conversar com Deus é constante, sou tão pretenciosa que acredito que Ele pára
pra me ouvir, enquanto o mundo está o caos, nesse momento em que escrevo rio
sem querer, pois lembrei que nessas conversas, sempre começo pedindo perdão,
uma pessoa que não sabe esquecer quem lhe fez o mal, contradição. Ainda
acredito em poesia, em música que faz chorar e tenho também mania de procurar
canto de passarinho no final de tarde, feito uma pessoa que não tem
preocupação, problemas, sinto inveja dos passarinhos. Sou invejosa? Se for que
seja só dos passarinhos. Tudo muito normal pra mim e esquisito pro mundo torto. YL