Normal que a vida enlace, quando se
muda a quarta faixa ou a primeira da música que dói,mesmo os fatos medianos,
perseguidores do cotidiano, sombras ou luzes. Disfarce para que não percebam
uma aceleração contida no peito. Pula-se a frase, muda-se a leitura do poema triste.
Depois, pela janela as árvores, que também observam, e existe muito sol. Não existe
medo neste momento, e sim uma felicidade tranquila, uma melancolia tardia, como
tem que ser. O dia quente, certeza do acolhimento, esquecimento do corpo para o
mundo, e é preciso como o mar, é impreciso como uma declaração de amor. E agora
me entrego na primeira pessoa: agarro-me na força dos detalhes invisíveis como
a fumaça, incenso sutil que decifra meus sentimentos, no cheiro, no sabor. É
preciso sentir e perceber,então que
grite o silêncio. YL