O livro de José Claúdio Adão. Nosso amigo blogueiro Cacá. Blog do Cacá
Lendo, fui me divertindo e curtindo a fina e rara forma de escrever a verdade crua com classe e humor. Cacá faz isso com naturalidade no seu livro. Contando as várias maneiras reais de enfrentar as novas fases da vida e suas “mazelas”. Depois dos 40, 50, 60,70 anos de idade .
“Já se imaginou num rodízio de carnes, se deliciando só de rúcula, beterraba, cenoura, tudo sem nenhum sal e comer de sobremesa uma barra de cereais?”
Um livro que tem bom humor e deixa seu recado em reflexões instigantes, procurando sempre um equílibrio maduro entre mente, corpo e espírito, longe das regras impostas, pelas mágicas vendidas na mídia. Ler a escrita dele é conversar, ouvir sua voz na imaginação, ele escreve como se estivesse falando na sala da nossa casa, em uma varanda com seus amigos. Dá vontade de tomar um café com biscoitos.
No livro ele mostra que somos eternas crianças , seja em que fase for aprendendo a andar, falar, se relacionar socialmente, dependendo do tempo .
“... Limites sociais são como cercas vivas e espinhetas por todos os cantos da vida onde temos que passar”.
Aliás, percebi que o tempo é o grande desafio do leitor para aceitá-lo de forma madura .
Não precisa correr contra ele, assim as letras do historiador, escritor e poeta nos ensina. Somos tão espantados com o espelho como uma criança ao se deparar com um dente nascendo ou se degladiando com exames de rotina quando a idade já não pede mais um pediatra.
Sem dúvidas um livro tomado de sabedoria, no tempo certo .
Fiz um café . A xícara quase cheia , fumaça , cheiro de manhã . No gole , pensei em alguns erros meus . Queimei a língua , feri minha palavra . Café com gosto de repreensão paterna .
O homem pertence aquilo que conquista , ama e quer ficar ao lado . Eu sei, ou acho isto. Pertence e muitas vezes não possui, não tem na essência, apenas na ilusão de pousar para uma fotografia, aliás, acho que as fotografias são facas instigantes. Algumas cortam só de você olhar um sorriso quase feliz, outras a revelação destoa com a mentira colorida. O homem é daquilo que se revela, eu acredito nisso. O mundo não pertence a ninguém, embora ele nos devore quase sempre.
Embarcamos. Ficamos em lugares perto das janelas da imaginação.
A maquinista, uma nordestina de voz forte e personalidade a todo vapor.
Vestido de menina, colorido, rodado, que rodava com suas canções.
Cantava amores, dores de amores, alegria do sangue de rapadura, um mel que corre nas suas veias.
Com seu jeito, ela nos ensinava e cobrava de que lado estava nosso preconceito, lembrando que o trem não pode dividir a cidade.
Imaginei as paisagens e eram elas que ditavam na voz forte que vinha lá da frente, que nossa cidade tem estações em preto e branco, outras mais desbotadas e coloridas que nem o tempo acabará, ficarão nas canções. Outros sons da percussão ajudavam a colorir a velocidade e pela janela víamos tudo que ela cantava.
O trem é da estação, o trem é massa, e a bala é Khrystal.
“Tudo bem simples, tudo natural... todas as cores que eu puder te dar, toda a fantasia que eu puder sonhar...” (Tudo simples /Roupa Nova)
Acordei lembrando a noite anterior e cantando a música de roupa nova. Ontem foi o nascimento dos meus Rascunhos. Ansiosa, nervosa, feliz, emocionada e sentindo um turbilhão de coisas.
A noite foi linda, foi simples, estavam pessoas que realmente gostam de mim, que ficaram curiosas em ler o livro, pessoas de todas as tribos, idades, coloridas e felizes. Personalidades politicas, jornalistas contemporâneos de meu pai e a turma nova e competente, meus amigos verdadeiros e queridos. Primos, tios, tias. Alegria contagiou a noite. Pessoas que nem imaginava rever um dia, chegaram e me fizeram chorar. Gente de alma boa, sem inveja, gente rara. Sentí que tinha cumprido a missão. Entreguei meus rascunhos nos braços da multidão e percebi que já não era mais a dona. Um misto de saudade e alegria também me visitou. Aquela saudade companheira. Pois mesmo na alegria sinto falta do meu pai, queria ele ali, confesso que queria até demais.
Parecido com a canção eu pude ver as cores e sonhos todos no mesmo local. Se a maldade pensou em pousar, com certeza desistiu. Amém.
Obrigada a todos que estiveram lá que me deram força, sei de todos. Obrigada a Mari e Ana Karla que de longe me deram tanto carinho, e até sentí o abraço de cada uma delas. Vocês são maravilhosas,almas do bem.
Entretanto estou aqui Ressuscitando Graças dou à desgraça E à mão com punhal Porque me matou tão mal E segui cantando
Cantando ao sol Como a cigarra Depois de um ano
Debaixo da terra Igual sobrevivente Que volta da guerra Tantas vezes me apagaram Tantas desapareci A meu próprio enterro fui Sozinho e chorando Fiz um nó do lenço, Mas esqueci depois Que não era a única vez E segui cantando Cantando ao sol Como a cigarra Depois de um ano Debaixo da terra Igual sobrevivente Que volta da guerra
Tantas vezes te mataram Tantas ressuscitará Quantas noites passará
Desesperando E à hora do naufrágio E à da escuridão Alguém te resgatará Para ir cantando
Amanhecendo o dia com notícias boas . Os mineiros no Chile foram todos salvos . Alegria e emoção transbordavam nos rostos de todos que estavam no local do resgate.
Assistindo ontem pela TV .
Maravilha .
Algo deverá mudar, alguém deverá reconhecer os erros e injustiças que na década de 60 o poeta Pablo Neruda já reclama ao mundo a vida dos mineiros chilenos. Acredito que a hora chegou , o mundo assistiu a mais cruel e quase impossivel resistência humana diante de uma situação de limite físico e emocional.
33 VIDAS, RESPIRAÇÕES, CORAÇÕES . 33 BATIDAS E O TEMPO NÃO ESPERA,SÓ ELES.
1. Florencio Ávalos, 31 anos, capataz, casado. Irmão de Renán, outro dos mineiros presos. Por sua condição de capataz, era o segundo na hierarquia, depois do chefe de turno. 2. Mario Sepúlveda, 40 anos, eletricista, casado. Foi o apresentador da maioria dos vídeos dos mineiros que foram divulgados. 3. Juan Illanes, 52 anos, mineiro, casado. Veterano do conflito na fronteiro que quase gerou uma guerra entre o Chile e a Argentina, em 1978. 4. Carlos Mamani: 23 anos, operador de maquinário pesado, casado. É boliviano, e é o único do grupo que não é chileno. 5. Jimmy Sánchez, 19 anos, mineiro, solteiro. É o mais jovem do grupo. 6. Osman Araya, 30 anos, mineiro, casado. Trabalhava somente há quatro meses na mina. 7. José Ojeda, 46 anos, encarregado da perfuração, viúvo. Sofre de diabetes e foi quem escreveu a mensagem que anunciou ao mundo que todos estavam com vida. "Estamos bem no refúgio, os 33." 8. Claudio Yáñez, 34 anos, operador de broca, solteiro. 9. Mario Gómez, 63 anos, motorista, casado. É o m ais experiente do grupo. É filho de mineiro e foi apelidado de "O Navegador", por seu passado como mercante da Marinha. 10. Alex Vega, 32 anos, mecânico de maquinaria pesada, casado. Em 22 de setembro, comemorou seu aniversário dentro da mina. 11. Jorge Galleguillos, 56 anos, mineiros, casado. Trabalhou toda sua vida na mina e sofre de hipertensão. 12. Edison Peña, 34 anos, mineiro, solteiro. Na primeira gravação, expressou seu desespero ao dizer: "Quero sair logo". 13. Carlos Barrios, 27 anos, mineiro, solteiro. Seu pai, Antenor Barrios, disse como acho que ele estava após a primeira conversa: "Encontrei-o com forças e vontade. Uma voz forte e clara. Me emocionei." 14. Víctor Zamora, 33 anos, mecânico automotivo, casado. Preso na mina, recebeu a confirmação de que sua mulher, Jéssica Cortez, está grávida. 15. Víctor Segovia, 48 anos, eletricista, casado. É o encarregado de registrar por escrito tudo o que acontece dentro da mina. 16. Daniel Herrera, 27 anos, motorista de caminhões, casado. Sua mãe, Alicia Campos, contou que prometeu não chorar quando conseguiu falar com ele lá embaixo. "Não cedi até que disse 'tchau, meu filhinho'", contou. 17. Omar Reygadas, 56 anos, eletricista, casado. Tinha acabado de começar a trabalhar na mina. 18. Esteban Rojas, 44 anos, encarregado de manutenção, casado. Prometeu por carta a sua mulher, Jessica Yáñez, com quem se casou no civil há 25 anos, que ao sair fariam uma cerimônia religiosa. 19. Pablo Rojas, 45 anos, carregador de explosivos, casado. Tinha menos de meio ano trabalhando na mina. 20. Dario Segovia, 48 anos, operador de broca, casado. Sua mulher, Jessica Chille, conseguiu falar com ele após 24 dias. "Ouvir sua voz foi um alívio para o meu coração", disse ela. 21. Yonni Barrios, 50 anos, eletricista, casado. Por seus conhecimentos de enfermaria, foi encarregado de elaborar relatórios médicos de seus companheiros e de vaciná-los. Do lado de fora, ele foi disputado a tapas por duas mulheres. 22. Samuel Ávalos, 43 anos, mineiro, casado. Sua mulher, Ruth, contou que tinha problemas com drogas. 23. Carlos Bugueño, 27 anos, mineiros, solteiro. Antes de entrar na mina, trabalhava como segurança. 24. José Henríquez, 54 anos, encarregado de perfuração, casado. Tem sido o guia espiritual dos mineiros. 25. Renán Ávalos, 29 anos, mineiro, solteiro. Renán trabalhava na mina há cinco meses e é irmão do capataz Florencio Ávalos. 26. Claudio Acuña, 44 anos, operador de perfuradora, solteiro. Declarado fanático pelo popular time de futebol Colo Colo. 27. Franklin Lobos, 53 anos, motorista, solteiro. Ex-jogador de futebol, com passagem rápida pela seleção chilena. 28. Richard Villarroel, 27 anos, mecânico, solteiro. 29. Juan Aguilar, 49 anos, supervisor, casado. Sua mulher, Cristy Coronado, disse: "Para mim isso é como um sonho. Às vezes, espero acordar e encontrar minha vida de antes." 30. Raúl Bustos: 40 anos, mecânico hidráulico, casado. Trabalhava como mecânico nos estaleiros da Marinha do Chile, em Talcahuano, um porto no sul, destruído pelo tsunami de 27 de fevereiro. Isso o obrigou a procurar trabalho na mina. 31. Pedro Cortez, 24 anos, eletricista, solteiro. Perdeu um dedo na mina há um ano. 32. Ariel Ticona, 29 anos, motorista de maquinário pesado, casado. Sua mulher, Margarita, deu à luz a sua terceira filha enquanto o marido estava preso na mina. A menina foi batizada de Esperanza. 33. Luis Urzúa, 54 anos, topógrafo e chefe de turno, casado. Tem exercido a função de líder, e foi o primeiro que falou com as autoridades.
Hoje Ana Karla postou um clipe de Raul Seixas "Maluco Beleza" blog que me fez lembrar de uma crônica que fiz em 2005 para Revista Papangu: "A Beleza da Maluquez", falando sobre a loucura (logo abaixo). Encontrei -a nos meus arquivos desorganizados por natureza e extravaso também como minha amiga Ana , essa vontade de ser maluca numa beleza inocente pois o mundo está me deixando cada dia mais espantada com tanta maldade e ganância, quero essa doidera de Raul , quero essa loucura dos doidinhos da minha infância. YL
A rua que eu nasci e cresci no Tirol, brincando, me machucando nas queimadas mudou.
Mudaram as pessoas, os vizinhos, muita coisa mudou.
Da infância tenho lembranças mais do que boas. Não tínhamos absolutamente nada de moderno, brinquedos “supersuper”, computadores, DVDs, éramos felizes por nada, a felicidade transbordava sem cobrar absolutamente nada.
Mentindo um bocado, riamos,inventávamos brincadeiras e o que a minha lembrança guardou mesmo foi nossos amigos loucos.
Todo mundo deve ter conhecido um louco que passava em sua rua. Assustava a meninada.Os meus (tomo posse por ser das minhas lembranças) eram engraçados. “A benção meu padrinho”, um barrigudo moreno baixinho atrevido que tinha semanas que odiava algum político, no outro dia estava adorando e se a gente gritasse: -“Doido! A benção meu padrinho!”, ele fazia cocô na calçada da nossa casa, uma vingança e tanto. Tinha também “Doido Iodex”, esse era uma figura interessante para quem via. Passava uma pomada fedorenta nas pernas e andava de bermuda sem camisa, um sapato social sem meia, um balde e um cabo de vassoura pra correr atrás da gente.
Depois o famoso “caranguejo com batata” esse eu confesso que correu atrás de mim uma vez, eu quase me acabo na ladeira do final da rua .Tinha um rosto vermelho, queimado do sol e andava numa bicicleta velha.
E eram assim nossos loucos. Esperávamos por eles no muro da casa de vovó ou no final da rua.
Era como se nossos gritos de medo e pavor infantis massageassem o ego dos protagonistas do terror de quinta categoria, no mais puro e ingênuo cenário. Acho que no íntimo dos seus delírios eles se dopavam com nossa provocação e conseguiam extravasar seus próprios medos através dos nossos. Fazíamos parte das suas dependências químicas, alias não acredito que tomassem algum remédio, às vezes sumiam semanas, se encantavam.
Nos meus sonhos de menina besta, achava que eles não tinham casa, não se internavam,sumiam como mágica, depois de dispensados do “descanso” eles voltavam com todo o gás para nosso delírio. Eram nossos loucos preferidos, nunca mais os vi.
Às vezes os procuro pelas ruas, mas pelo tempo, acho que já morreram todos. Sinto falta da maldade que não fazia mal. Da doença que acrescentava em nós crianças a liberdade de poder deixá-los se soltar, gritar, correr todos juntos, todos loucos.
Não ouvíamos falar em drogas pesadas, em maníacos sexuais. O máximo que poderia acontecer era alguém da turma inventar uma mentira imensa para fazer a gente descer a ladeira à noite com um medo horrível. Não fazia mal. Era um mundo mais tranqüilo, sadio.
A imagem que foi fixada e formada em mim de loucura foi a menos traumática. Não acreditava que loucos pudessem matar, roubar, enganar as pessoas, mas tudo mudou. Agora nesse mundo, quem for mau caráter dizem logo que é louco, no mesmo instante lembro-me da “minha turma” e não tem como comparar ou aceitar. Atualmente quem mata uma criança é louco, quem não tem palavra de honra, tem algum distúrbio, problemas depressivos.
A maldade em essência se apossou do titulo de uma real doença mental. Os pobres loucos que não sabem realmente o que fazem se trancam no escuro de sua mente, dopados e sorrindo para o vazio estão misturados no mesmo diagnóstico mundano e podre dos homens de sã consciência. Prefiro os meus loucos.Minha rua mudou, a cidade mudou, as pessoas mudaram.
Outras já fizeram sua viagem eterna. No final da tarde no mesmo muro da casa de vovó que hoje apoio meu filho para ver os gatos e cachorros que passeiam, não existe mais ninguém para brincar de nos assustar, só um medo que como o vento de final de tarde nos invade como visita, medo dos loucos modernos que são maus por natureza e loucos por maldade.
Yasmine Lemos
Natal/2005
MEDO DA CHUVA (na minha opinião a letra mais bonita dele)
(Raul Seixas / Paulo Coelho)
É pena
Que você pensa que eu sou escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir
Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao teu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver
Eu perdi o meu medo
Meu medo, meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Traz coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar
Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem
Aquilo que o padre falou
Porque quando eu jurei
Meu amor eu traí a mim mesmo
Hoje eu sei que ninguém neste mundo
é feliz tendo amado uma vez
Uma vez
Eu perdi o meu medo
Meu medo, meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Traz coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar
Este mês meu blog está completando seus quatro anos. Agradeço a todos que passam por aqui diariamente mesmo que silenciosos, e os que comentam ,deixando suas digitais.
Aos meus amigos de antes e os de agora , que ficarão para sempre como a escrita.
"Me dê amor, me dê amor Me dê paz no coração Me dê luz, me dê vida Me mantenha livre desde o nascer Me dê esperança Me ajude a lutar, com esta carga pesada Tentando te encontrar, e tocar com coração e alma Oh, meu Senhor . .. Por favor, agarre minha mão, que Eu teria o poder para te entender..."( Give me love, George Harrison)
Votei, cumpri com o meu dever. Aqui em Natal a candidata ao governo pelo DEM se elegeu no primeiro turno.
Muitos candidatos ruins e oportunistas não venceram (ôba!) outros irão continuar na cara lisa (péssimo), mas tem gente boa também que ganhou e fiquei feliz por eles.
A luta pelo voto foi tensa .
Como disse, fiz a minha obrigação, espero agora que eles cumpram pelo menos 2% do que prometeram, (eu sonhando).